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Inauguração do Prédio da ReCiMe

posted Jan 4, 2013, 7:53 AM by Elivelton Fonseca   [ updated Jan 4, 2013, 8:28 AM ]
Discurso de Inauguração do Prédio da ReCiMe:

Caros amigos,

Começo, assim, sem o magnífico que a senhora Pró-Reitora merece, os ilustríssimos como deveria chamar os diretores desta faculdade, os senhores e as senhoras que a situação exigiria, porque o dia de sol, o horário, o ambiente ao ar livre e, sobretudo, a alegria que tenho de compartilhar com vocês essa inauguração me licencia, suponho eu, a ser menos formal para registrar um pouco da experiência que se associa a este prédio.

A ReCiMe ainda é uma jovem rede de pesquisadores, porque estamos trabalhando juntos há seis anos. No entanto, entre os muitos significados que se atribui à palavra rede, quando vamos ao dicionário, há quatro que são muito apropriados para falar de nosso grupo:

  • Malha feita de fios entrelaçados com espaços regulares.
  • Entrelaçamento de nervos, fibras, etc.
  • Conjunto de relações e intercâmbios entre indivíduos, grupos ou organizações que partilham interesses, que funcionam na sua maioria através de plataformas da Internet.
  • Complicação de coisas.
 Destas definições tomo, primeiramente, a ideia de “entrelaçamento, de relações, de intercâmbios, de grupos que partilham interesses”, porque é isso que fazemos todo o tempo num esforço de nos articularmos em torno de um tema de pesquisa.

Cabe a nós, ainda, a ideia de funcionamento através de plataformas da internet,
já que, para melhorar nossa organização de dados e nossas formas de comunicação, temos uma Plataforma de Gerenciamento da Informação.

Seria pouco realista imaginar que eu não teria, também que selecionar outra conceituação dada à palavra rede – complicação de coisas – , porque trabalhar em conjunto é mais difícil que trabalhar sozinho, sobretudo no período contemporâneo, em que somos, efetivamente, como nos compreende Alain Bourdin, uma “Sociedade de Indivíduos”. Temos que nos construir a cada dia, enfrentando essas complicações, acertando aqui, errando ali, afastando-nos de uns e nos aproximando de outros.

O prédio tem grande significado neste processo compor articular equipes e de desenhar um caminho de pesquisa, que é, ao mesmo tempo, o de construir um conceito e algumas explicações sobre o nosso espaço-tempo.

Este prédio é como realidade material que, agora, olha para nós e fica nos dizendo que convém não desistir e que, muito mais que isso, é preciso fazer o melhor que nos for possível.

Como o dia é de festa, é importante comemorar o que foi feito, como uma forma de ter maior clareza sobre o muito que há por fazer.

É indispensável fazer nossa autocrítica para não perder a capacidade intelectual de desconfiar do que já dissemos e procurar avançar.

É fundamental não deixar de conversar com os outros, os que trabalham com outros temas, com outros espaços-tempos, porque desde há muito sabemos que é preciso comparar, para reconhecer o universal, o particular e o singular. 

Foto - Discurso da Profa. Carminha



Um prédio não é pouca coisa, mas ele não será nada, se a série de livros Cidades em Transição deixar de ser publicada, se não houver as teses, dissertações e monografias elaboradas no âmbito da rede, se não tivermos gente nova alimentando a ReCiMe, outras com coragem para sair dela, quando não considerarem mais relevante a temática ou adequadas as nossas formas de trabalhar e outras, ainda, serão importantes para mudá-la, quando isso for preciso.
Desejamos, assim, que o prédio seja o continente (no sentido do que contém) de uma pluralidade de ações, de experiências, de oportunidades. Que ele guarde a nós, nossos livros, nossos equipamentos, mas, sobretudo, ajude a iluminar ideias e aquecer sentimentos.

É deles, dos sentimentos, que falo agora, fazendo alguns agradecimentos que não serão exaustivos, para não cansar demais vocês, porque uma rede como esta depende de muitas instituições e muitas pessoas e se fossemos agradecer a todos, não sairíamos mais daqui.

Começo pelas instituições:

Agradeço à Finep que aprovou nosso projeto e ofereceu os recursos iniciais para essa edificação.

À Unesp, que nos sedia, que contribuiu com metade dos recursos necessários à construção deste prédio e à qual estão filiados um número grande pesquisadores e estudantes da ReCiMe. À sua Pró-Reitoria de Pesquisa que acolheu o projeto e nos intermediou junto à Finep.

À direção da FCT, em nome de Antonio Nivaldo Hespanhol, pelo apoio de sempre, inclusive, nesta etapa de equipar o prédio. Ao Departamento de Geografia desta faculdade, aos seus cursos de graduação e pós-graduação que compõem ambientes e grupos, para os quais sempre teve muito valor a palavra futuro.

Também agradeço a todas as outras universidades às quais que se associam os professores desta rede: as federais do Amazonas, Pará, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Uberlândia (campus de Uberlândia e Ituiutaba), Rio de Janeiro, Grande Dourados, Rio Grande do Sul, Fronteira Sul (campus de Erechim e Chapecó); a estadual do Ceará; a Unochapecó; a Univali; as sulamericanas Universidad del Centro de La Província de Buenos Aires e Pontifícia Universidad Católica de Chile; a Universidad de Lleída, nossa parceira nos estudos sobre

cidades médias e sede da Cátedra Unesco “Ciudades intermedias y desarrollo”.

Ao CNPq, CAPES e FAPs que têm financiado nossas pesquisas, segue o registro de “muito obrigada”.

Com açúcar, com afeto, como disse Chico Buarque de Holanda, eu agradeço, agora, às pessoas, afinal, não há instituições sem elas e sem as relações com as quais tecemos a trama da rede que tanto pode nos unir (sem unificar) como entrelaçar (sem amarrar).

Começo agradecendo a todos que compõem esta rede – atualmente 43 pesquisadores e 82 estudantes – os quais me têm como coordenadora, nos meus melhores e nos piores momentos. Meu especial “muito obrigada” apresento a cada um dos coordenadores de equipes que levaram adiante o trabalho nas cidades estudadas.

Ao Helio Hirao, amigo de muito tempo e arquiteto deste prédio. Quando olhamos para ele, cheio de luz natural e espaços que se intercomunicam, posso dizer que você cumpriu a profecia de Alain de Botton e nos brindou com uma “Arquitetura da Felicidade”.

Ao Grupo de Pesquisa Produção do Espaço e Redefiniçõees Regionais (GAsPERR), agradeço a paternidade da rede, pois a ReCiMe é filha dessa

experiência de trabalhar em grupo e, por isso, este prédio também é dele.

Aos meus amigos deste grupo (Arthur, Everaldo, Eda e Nécio), agradeço o convívio cotidiano e meu muito obrigado, especialmente ao seu coordenador, Eliseu Sposito, por um número muito maior de razões, que eu nem preciso listar a vocês.

Aos meus colegas de ReCiMe que, de Casadinho em Casadinho, compõem as duplas e os trios que a, cada dois anos, coordenam nossas pesquisas. Denise Elias, muitíssimo obrigada, não teria sido possível fazer consolidar a pesquisa em suas primeiras etapas sem você. Dora Maia, valeu demais pela parceria para continuar o caminho e criar condições para começar a fechar a pesquisa. Maria José Calixto e William Ribeiro da Silva, ainda teremos muito trabalho nestes dois anos e conto com vocês.

Ao Renato Pequeno e seu equipe que idealizou e montou a nossa Plataforma de Gerenciamento da Informação, apresento os agradecimentos de todos da ReCiMe, pois se não sabemos operá-la à altura de seu potencial, os limites são nossos.

Por fim, meus agradecimentos, com todo afeto e com mais açúcar, ainda, a Beatriz Ribeiro Soares, subcoordenadora da rede, quem muito antes da ReCiMe existir, sempre repetia, que era preciso inventá-la.

Como somos duas otimistas, acreditamos que esta rede continuará a pesquisa, por muito tempo, depois de nós, nunca sendo a mesma, sempre se reinventando. Para isso, é preciso que cada um dos seus participantes atenda a recomendação de Mia Couto:

Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto.

É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.

Presidente Prudente, 16 de agosto de 2012.

Maria Encarnação Beltrão Sposito

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